O fim de um jornal!

O fim de um jornal!

Leia jornalQuando eu era criança, todos os dias meu pai tomava café comigo lendo seu jornal e comentando as noticias e falava “Filho, leia jornal! Você enxergará o mundo de outra maneira.” 

Quando cresci um pouco mais, achei que a internet era tudo e preguei o fim do jornal! Coisas de um jovem petulante! 

Quando cresci mais um pouco,  cuidei durante cinco anos da presença digital do Jornal Valor Economico e o adversário a ser batido era a Gazeta Mercantil!

Hoje, com um pitada de tristeza, saudosismo e sentimento de culpa escrevi um artigo para a Gazeta Mercantil intitulado “Sobre o fim de um jornal” tentando jogar uma luz sobre as grandes questões nestes tempos exponenciais! Sim, hoje é a última edição da Gazeta!

Vivemos o fim de uma era?

Na transição para o capitalismo criativo este é o preço a ser pago?

O fim do jornal não é preocupante para nossa nação?

Quem endosará uma boa novidade para a humanidade?

Quem nos explicará o improvável?

Em tempos exponenciais, sera que noticias de até 140 caracteres no twitter formará uma humanidade pensante ou apenas superficial? 

A “Associação aberta de contadores de histórias na Internet”, o “Sindicato mundial de jornalistas amadores”, o “Conselho universal de repórteres nas horas vagas” e o “Conselho dos desesperados por só um pouquinho de fama” nos trará a democracia da informação ou apenas uma idiocracia irritante?

Vivemos o apogeu da sociedade “não me venha com fatos novos, já tenho as minhas idéias formadas?”

Será que estamos construindo um novo mundo destruindo o que era bom? 

“Um bom jornal é a nação falando com ela mesma” como disse o ganhador do Pulitzer Arthur Miller. Nossa nação ficou de uma certa maneira muda?

Cada onda bárbara que chegava aos portões de Roma declarava que estava fazendo um novo mundo? Será!

Uma certeza eu tenho, o jornal como conhecemos acabará! O modelo se esgotou! Algo novo surgirá! Aguardem!

Ps: Fica aqui meus votos para que todos os funcionários da Gazeta Mercantil, encontrem logo um novo espaço para trabalharem! Meu muito obrigado a Gazeta por me dar a honra de singelamente apagar as luzes!

Ao grande amigo Clayton Melo, editor de Publicidade do jornal, ele continuará compartilhando sua genialidade no excelente blog Ponto de Fuga, acredite a vanguarda passa por lá! Aliás, será que há anos atrás quando ele bolou o Ponto de Fuga ele previu o futuro! Será?

Ps: Leia o artigo na integra! na continuação do post! O site foi retirado do ar!

O fim de uma era

O fim de um jornal e os tempos exponenciais!

 

Cada onda bárbara que chegava aos portões de Roma declarava que estava fazendo um novo mundo? Vivemos o fim de uma era! Porém o fim do jornal não é preocupante para nossa nação? Quem endosará uma boa novidade para a humanidade? Quem nos explicará o improvável?

Em tempos exponenciais, sera que noticias de até 140 caracteres no twitter formará uma humanidade pensante ou apenas superficial?  Estamos criando um sociedade imediatista, amadora e vigiada?

“Um bom jornal é a nação falando com ela mesma” a célebre frase do ganhador do Pulitzer Arthur Miller, passa um sentimento de onipotência quando observamos a situacao da Gazeta Mercantil, New York times e de outros jornais pelo mundo! É inquietante!

O colunista do New York Times Thomas Friedman formulou a teoria de que a internet libertaria os oprimidos. Ele acreditava que, com o advento dos canais de TV globais e da internet, qualquer cidadão do mundo poderia ver, ouvir e observar todos os muros físicos. 

A mudança está intimamente ligada à forma como as pessoas passam a relacionar-se com o mundo. Fundamos a “Associação aberta de contadores de histórias na Internet” o “Sindicato mundial de jornalistas amadores” o “Conselho universal de repórteres nas horas vagas” e o “Conselho dos desesperados por só um pouquinho de fama”.  A Internet oferece este grande palco para que o arquiteto vire um escritor e o advogado torne-se um jornalista. Porém, o que tudo isso colabora para a inteligência da humanidade?

Em uma democracia das redes sociais e dos quatros C’s (compartilhar, conteúdo, cominidade e comércio) a deusa da casualidade usa de requintes de crueldade. Vivemos em uma revisão histórica do panteão dos gênios da Humanidade.

Esbarre na filosofia de Jean Paul Sartre que escreveu que “As pessoas lêem porque um dia desejam escrever” Eureka! Inventamos os blogs e são criados 1,5 por segundo. Você já tem o seu?

Releia a antítese do egoísmo de Adam Smith, em Slideshare.net, com conteúdo acadêmico grátis para todos.

Você faz e outro repete de Galileu Galilei, em Netvibe.com um jornal diferente para cada internauta! Reviva o apogeu e peregeu do Império Romano, na enciclopédia digital Wikipedia.com.

Renegue Lutero e sua máxima de não pagar entradas para o céu, em timeswatch.org, o inquisidor dos excessos da mídia.

Releia o amor e a poesia de Marcel Proust, em Librarythings.com, que com 12 meses de lançamento, tem 15 milhões de livros catalogados por voluntários. Alguns com direitos reservados, mas não todos.

Relembre o herói desgraçado e o infeliz bem aventurado de Shakespeare, no dig.com, onde você escreve um artigo, posta e as pessoas vão eleger se ele é bom ou ruim.  Porém tudo isso,

Porém, temos que entender este e-consumidor! Esgotou-se o tempo do nosso consumidor, ele estuda ou leciona, le cinco revistas por mês, trabalhar mais de 48 horas por semana, le o jornal diariamente, assisti mais de 100 canais de TV paga, mantem relações afetivas, pratica esportes, hobbys, viaja nos fins de semana, navega mais de 12 horas por mês… Ufa!!!
Além disso, desejam satisfação instantânea, vivem em uma cultura acelerada, tudo imediato e os produtos são os que mais crescem nessa sociedade entre eles: Viagra, Botox, ipod, Pílulas de conhecimento em jornais no semáforo e Red Bull e seus similares!

No megafone digital e na tempestade de opinião na internet, cria-se espaço para que potencializa a idiocracia – Império da Idiotice – do nosso mundo! E o preço da revolução!

Enxergue a idiocracia  em um dos blogs mais lidos dos EUA, Perezhilton.com, que conta as idiotices de Britney ou Paris Hilton. E no Brasil, que durante meses o vídeo mais visto no Youtube, era de uma cantora, que cantava apenas um ”palavrão.”

Em um exemplo de destruição de reputação, tem a distribuição do boato digital da “Crônica do falso adeus” supostamente assinado por Gabriel Garcia Márquez, onde ele se despedia do mundo em seu estado terminal de Câncer. O escritor foi obrigado a ir à mídia de massa, agradecer todos os presentes e palavras de carinho, mas desmentiu qualquer doença.

Após ler e reler este texto lembrei-me do filme “Janela da Alma” do cineasta alemão Win Wender, que retrata pessoas com graus diferentes de deficiência visual, que relatam como enxergam (ou não) esse mundo saturado de informação!

O âmago do filme nos lembra que com excessos somos incapazes de prestar atenção e nos emocionar. Portanto hoje, vou apenas me preocupar em olhar o Lusco-Fusco e ler meu jornal tomando minha xícara de café.

 

Por Gil Giardelli CEO da Permission e Coordenandor do curso de Ações inovadoras em comunicação digital na ESPM